segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Talvez todos me entendam quando falo de passado. Não um simples passado, mas aquele ajustado. Ajustado ao melhor jeito que qualquer um pudera imaginar, ajustado a forma que qualquer um já sonhou. É no mínimo engraçado como conseguimos tomar decisões certas na teoria; parece muito mais fácil encontrar os erros depois que tudo já passou, admitir o equívoco depois de rever o “replay”. A vida não passa de mais um jogo de futebol, a diferença é que não temos apenas um Arnaldo Cezar Coelho palpitando; temos pelo menos dez. Depende da popularidade. Vez que outra fico imaginando tantas situações que já passei, e rio em silêncio perante cada idiotice que já cometi, muitas que ainda estão fresquinhas na memória. Eu sempre tive um certo problema com lembranças, e não que me são ruins, simplesmente porque pouco as tenho. Dificilmente lembro das coisas quando preciso, mas isso é assunto pra outra hora. Poderia ser muito mais fácil se pensássemos claramente antes de qualquer atitude, embora não tivéssemos, assim, muitos motivos para estarmos aqui. Deveras precisamos testar nosso “inconsciente”, nosso lado que não pensa.

Imaginar como serão as coisas lá pra frente é mais ou menos como lembrar o passado, seria melhor se todos fossemos “esquecidos”. Confesso que tantas são as vezes que imagino o amanhã, porém ao mesmo tempo admito que estou feliz com o presente. Muita coisa ajuda pra isso, mas o mais influente é minha própria mente. Eu tenho tanta pouca idade e já fiz tanta coisa, nada marcante para os outros, mas sim para mim. Coisas que nem lembro, contudo fazem parte da minha vida. Eu imagino, por exemplo, como estavam as coisas um ano atrás, mas nada parece ser tão bom como o hoje; talvez a experiência é a melhor coisa. Eu gostaria de experimentar muito mais coisas, não sei certo o que, mas queria encher muito mais meu arquivo de experiências.

Eu lembro, ainda que meio embaçado, aquele texto que li há anos, aquela música e mesmo aquela conversa, e isso só me dá vontade de fazer mais disso, de ter muito mais pelo que lembrar amanhã, mesmo sendo algo ruim. Eu vejo como tudo está hoje, e talvez não seja algo ruim, por mais que eu reclame. Eu tento aprender a aproveitar ao máximo, e os últimos tempos, misturados com minha maturidade – e até com a infantilidade – estão me ajudando muito nessa “missão”. Tem gente que sonha comprar um carro, uma casa, eu sonho em ter experiência, talvez até comprasse alguma.

Eu comprei uma máquina de escrever, e alguns até dizem: “que bobagem”...”fazer o que com isso?”, eu respondo, ter a experiência de escrever de um jeito diferente, e assim é a vida, é muito mais que digitar no Word, é também escrever à mão, na máquina de escrever e até ditar. Loucura? Talvez, mas muito mais é diversão, é experimentar todos os tipos de cerveja, escutar todos os tipos de música e ouvir sobre todos os tipos de religião; acho que isso é viver. Pra mim ao menos, pros outros eu já não sei. Eu só sei que viver é muito mais do que se vê por ai, pelo contrário, viver é o que não se encontra, é inovar, conhecer e degustar. Alguns chamam de viagem, é tudo a mesma coisa.

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